poesia

Nova reforma agrária (Nuno Júdice)

Olho os teus olhos fechados,
— ouço a tua respiração breve.
E sei que sabes que te vejo,
como tu sabes que eu o sei.

Admiro, meu amor, o teu sonho.
Levas-me para fora da cidade,
às estradas ermas dos arredores,
onde vôo sobre o teu corpo.

E um outro campo nos aparece:
ramos, são os teus braços; flores,
as que nascem dos teus lábios;
corre um rio no vale entre os seios.

E volto a ser um camponês, trabalhando a terra que me dás.

 
 

Um pouco da poesia portuguesa contemporânea

Amor terreno (Nuno Júdice)

Quem o amor imagina, sem o conhecer,
não sabe o que perde quando imagina;
menos do que nada vale o saber
perante o que o coração nos destina.

Um rosto que se abre num sorriso
e limpa do céu todo o cinzento;
uns lábios que trazem loucura e siso
e na alma abrandam o mais alto vento.

Pode falar-se do que é o amor,
rodeá-lo de análises e teorias;
é como um cego a descrever a cor,

ou um surdo sonhando melodias.
Só quem ama conhece a verdade
em que a ilusão se faz eternidade.

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